Peça-me uma coisa; apenas uma; não peça
muito. Você sabe o quanto me custa cada pedido seu? Tenho que mover céus e
terras por sua causa, muitas vezes, deixando de atender tantos que precisam
mais. Faço o que posso por sua causa. Para que tantos pedidos? Não seria
suficiente que me pedisse imortalidade? Atendido esse pedido, os demais não
estariam implícitos? Parece que você quer o poder sobre tudo, tornando-me seu
escravo. Quando você despeja essa longa bateria de pedidos, mesmo para
favorecer terceiros, coloca-me como milagreiro e simples curandeiro, tomando o
lugar de quem de direito. Veja no que você me transformou; fantoche, boneco, seu
secretário particular e exclusivo, substituto de sua ignorância a meu respeito,
quebra-galho improvisado, feitor para punir quando você errar, todo poderoso
para você temer... Será que você ainda não entendeu que eu opero no mundo com
você, a partir dos recursos que ofereci em você mesmo? Ainda não percebeu que
você me representa e que sua imortalidade é o maior beneficio que se pode
conquistar? A cima de tudo, por favor, não esqueça de meu amor, diferentemente
do seu, não tem limites, não é passional e liberta sempre.
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
Sombra
Outro dia, ao olhar no espelho, vi-me
envolvido por escura e densa névoa, como se meu rosto estivesse coberto por
grossa fumaça. Assustei-me e imaginei que poderia estar sendo alvo de agressão
espiritual ou sutil obsessão. Fechei e abri rapidamente os olhos na expectativa
de que a visão se dissipasse. Para meu espanto, lá estava a mesma imagem.
Aquietei-me e pude “ouvir”, dentro de mim mesmo, uma voz que dizia tratar-se de
representação de uma parte de minha personalidade, não revelada e que eu não
deveria esquecer, mas que, de forma alguma, era ameaçadora; disse-me que eu
deveria entender que em mim há sombra e luz; que todas as vezes que tentasse
enxergar a sombra no outro, a minha realçava. Sempre que admitisse minha
sombra, a névoa deixaria ser atravessada pela luz que emana de meu ser.
Compreendi a lição e aceitei conscientemente meu próprio mal, não mais
acreditando tratar-se de algo externo. A voz me aconselhou acolher a sombra
pessoal.
domingo, 16 de fevereiro de 2014
Quanto vale
O que você daria para ser uma pessoa segura,
em paz e dona de si mesma? Certamente você diria: “qualquer coisa”, “tudo”, “qualquer
valor”. Digo-lhe, porém, que não precisa tanto, que basta um centavo, um
segundo, um pouco de seu tempo, uma pequena boa vontade... Quando oferecemos
muito, costumamos cobrar em igual intensidade. Melhor seria uma pequena cota de
boa vontade, um pouco de disposição sincera, uma simples medida possível de
nossas energias, uma oferta singela da disposição matinal ou, em qualquer momento,
o sentimento profundo de gratidão a Deus. Dê o que de fato você possui para que
não exija o que não tem direito. A vida nos pede sacrifício sem sofrimento e
amor sem cobranças.
sábado, 15 de fevereiro de 2014
Aprendi a dizer não
Em primeiro, disse não à minha inércia
que insistia em adiar certas escolhas e decisões que deveria ter feito;
Em segundo, disse não à minha falta de
inteligência em teimar com atitudes que só machucavam a mim mesmo;
Em terceiro, disse não às pessoas que
projetavam em mim suas sombras, dificultando minha vida;
Em quarto, disse não à minha falsa
humildade que não me permitia enxergar meus potenciais e minhas melhores
qualidades e habilidades;
Em quinto, disse não à mania de querer
agradar a todos, não me permitindo agir com sabedoria sem ser rude;
Em sexto, disse não ao medo da morte que
me impedia de viver intensamente;
Em sétimo, disse não à minha ingenuidade
de querer ser salvo, quando a vida me convidava à experiência de integrar habilidades
para evoluir;
Por fim, disse não à exigência de perfeição,
pois compreendi que é muito mais importante tornar-me humano, proprietário de
mim mesmo e autodeterminado.
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Entrega
Entreguei-me à vida; não soneguei nenhum
segundo, nem deixei que a loucura me
dominasse. Fiz o possível para ousar, arriscar e viver quem eu sou. Ao descobrir
que havia um outro dentro de mim mesmo, fiz-me seu amigo, dei-lhe guarida e
juntos dançamos. Segui o ritmo da música que vinha do coração, aceitando o
poder que emanava de minhas entranhas. Quando me apaixonei, dei ao meu amor
apenas uma parte de mim, sem que me anulasse. Não desisti, nem agredi a vida; fui
sincero e coerente comigo mesmo. Quando o amor me convidou, atendi seu chamado,
descobrindo que provinha de Deus. Entreguei-me à vida e ganhei a mim mesmo.
domingo, 9 de fevereiro de 2014
Viagem interior
Dedique uma noite para planejar sozinho a
viagem. Você precisará de silêncio e reclusão.
Defina onde quer ir, por onde vai, como
chegar lá e quando pretende retornar.
Onde ir? No mais sincero e verdadeiro de
você mesmo, onde nada encobre sua personalidade. Essa condição permite que você
não crie defesas para justificar seus atos, pois na viagem, não poderá
responsabilizar ninguém pelo que você é. Qualquer atalho, como pensamentos para
outros locais, deve ser evitado, voltando-se ao objeto que você deseja:
conhecer você mesmo.
Por onde vai? Percorra os caminhos mais
importantes da própria personalidade, referentes à família, ao trabalho, ao lazer,
à vida amorosa, ao dinheiro e a espiritualidade. Analise o que você tem feito
nesses campos e o que já sabe de sua imagem para as pessoas com quem
contracena.
Como chegar lá? Usando a transparência
consigo mesmo, sendo sempre coerente nas ideias, honesto consigo mesmo, assumindo
seus limites, suas capacidades e não se lamentando por nada.
Quando pretende retornar? Pense em voltar
a qualquer momento, porém mantendo o desejo de fazer novas viagens
instantaneamente. Suas viagens serão constantes e mais prazerosas.
A viagem interior deve se tornar um hábito,
pois sua constância possibilita o encontro com a própria Divindade.
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