terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Peça-me


Peça-me uma coisa; apenas uma; não peça muito. Você sabe o quanto me custa cada pedido seu? Tenho que mover céus e terras por sua causa, muitas vezes, deixando de atender tantos que precisam mais. Faço o que posso por sua causa. Para que tantos pedidos? Não seria suficiente que me pedisse imortalidade? Atendido esse pedido, os demais não estariam implícitos? Parece que você quer o poder sobre tudo, tornando-me seu escravo. Quando você despeja essa longa bateria de pedidos, mesmo para favorecer terceiros, coloca-me como milagreiro e simples curandeiro, tomando o lugar de quem de direito. Veja no que você me transformou; fantoche, boneco, seu secretário particular e exclusivo, substituto de sua ignorância a meu respeito, quebra-galho improvisado, feitor para punir quando você errar, todo poderoso para você temer... Será que você ainda não entendeu que eu opero no mundo com você, a partir dos recursos que ofereci em você mesmo? Ainda não percebeu que você me representa e que sua imortalidade é o maior beneficio que se pode conquistar? A cima de tudo, por favor, não esqueça de meu amor, diferentemente do seu, não tem limites, não é passional e liberta sempre.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Sombra


Outro dia, ao olhar no espelho, vi-me envolvido por escura e densa névoa, como se meu rosto estivesse coberto por grossa fumaça. Assustei-me e imaginei que poderia estar sendo alvo de agressão espiritual ou sutil obsessão. Fechei e abri rapidamente os olhos na expectativa de que a visão se dissipasse. Para meu espanto, lá estava a mesma imagem. Aquietei-me e pude “ouvir”, dentro de mim mesmo, uma voz que dizia tratar-se de representação de uma parte de minha personalidade, não revelada e que eu não deveria esquecer, mas que, de forma alguma, era ameaçadora; disse-me que eu deveria entender que em mim há sombra e luz; que todas as vezes que tentasse enxergar a sombra no outro, a minha realçava. Sempre que admitisse minha sombra, a névoa deixaria ser atravessada pela luz que emana de meu ser. Compreendi a lição e aceitei conscientemente meu próprio mal, não mais acreditando tratar-se de algo externo. A voz me aconselhou acolher a sombra pessoal.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Quanto vale


O que você daria para ser uma pessoa segura, em paz e dona de si mesma? Certamente você diria: “qualquer coisa”, “tudo”, “qualquer valor”. Digo-lhe, porém, que não precisa tanto, que basta um centavo, um segundo, um pouco de seu tempo, uma pequena boa vontade... Quando oferecemos muito, costumamos cobrar em igual intensidade. Melhor seria uma pequena cota de boa vontade, um pouco de disposição sincera, uma simples medida possível de nossas energias, uma oferta singela da disposição matinal ou, em qualquer momento, o sentimento profundo de gratidão a Deus. Dê o que de fato você possui para que não exija o que não tem direito. A vida nos pede sacrifício sem sofrimento e amor sem cobranças.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Aprendi a dizer não

Em primeiro, disse não à minha inércia que insistia em adiar certas escolhas e decisões que deveria ter feito;
Em segundo, disse não à minha falta de inteligência em teimar com atitudes que só machucavam a mim mesmo;
Em terceiro, disse não às pessoas que projetavam em mim suas sombras, dificultando minha vida;
Em quarto, disse não à minha falsa humildade que não me permitia enxergar meus potenciais e minhas melhores qualidades e habilidades;
Em quinto, disse não à mania de querer agradar a todos, não me permitindo agir com sabedoria sem ser rude;
Em sexto, disse não ao medo da morte que me impedia de viver intensamente;
Em sétimo, disse não à minha ingenuidade de querer ser salvo, quando a vida me convidava à experiência de integrar habilidades para evoluir;
Por fim, disse não à exigência de perfeição, pois compreendi que é muito mais importante tornar-me humano, proprietário de mim mesmo e autodeterminado.


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Entrega


Entreguei-me à vida; não soneguei nenhum segundo, nem deixei que  a loucura me dominasse. Fiz o possível para ousar, arriscar e viver quem eu sou. Ao descobrir que havia um outro dentro de mim mesmo, fiz-me seu amigo, dei-lhe guarida e juntos dançamos. Segui o ritmo da música que vinha do coração, aceitando o poder que emanava de minhas entranhas. Quando me apaixonei, dei ao meu amor apenas uma parte de mim, sem que me anulasse. Não desisti, nem agredi a vida; fui sincero e coerente comigo mesmo. Quando o amor me convidou, atendi seu chamado, descobrindo que provinha de Deus. Entreguei-me à vida e ganhei a mim mesmo.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Viagem interior

Dedique uma noite para planejar sozinho a viagem. Você precisará de silêncio e reclusão.
Defina onde quer ir, por onde vai, como chegar lá e quando pretende retornar.
Onde ir? No mais sincero e verdadeiro de você mesmo, onde nada encobre sua personalidade. Essa condição permite que você não crie defesas para justificar seus atos, pois na viagem, não poderá responsabilizar ninguém pelo que você é. Qualquer atalho, como pensamentos para outros locais, deve ser evitado, voltando-se ao objeto que você deseja: conhecer você mesmo.
Por onde vai? Percorra os caminhos mais importantes da própria personalidade, referentes à família, ao trabalho, ao lazer, à vida amorosa, ao dinheiro e a espiritualidade. Analise o que você tem feito nesses campos e o que já sabe de sua imagem para as pessoas com quem contracena.
Como chegar lá? Usando a transparência consigo mesmo, sendo sempre coerente nas ideias, honesto consigo mesmo, assumindo seus limites, suas capacidades e não se lamentando por nada.
Quando pretende retornar? Pense em voltar a qualquer momento, porém mantendo o desejo de fazer novas viagens instantaneamente. Suas viagens serão constantes e mais prazerosas.
A viagem interior deve se tornar um hábito, pois sua constância possibilita o encontro com a própria Divindade.