segunda-feira, 12 de junho de 2017

Ser bem lembrado 3

É natural que se deseje ter as qualidades dos outros, principalmente aquelas que se tornam excelentes instrumentos para aquisição de bens e de prestígio pessoal. Mesmo que surja alguma ponta de inveja que dificulte ou impeça realçar as qualidades de alguém, a melhor solução é exatamente vencer essas barreiras e expressá-las. É natural a inveja às qualidades de alguém, porém deve ser seguida da busca por experiências que permitam que o melhor delas seja integrado à nossa personalidade; ato contínuo, deve-se expressar pública e sinceramente o valor do outro, para se libertar da própria ignorância e do complexo de inferioridade. O bom da vida compreende a aceitação da inveja, transformando-a em energia para realizações superiores e positivas para a própria personalidade.

Extraído do livro O bom da vida.


domingo, 11 de junho de 2017

Ser bem lembrado 2

Mesmo considerando que as pessoas possuem um lado negativo que pode ser socialmente visível, que nem sempre é conscientemente percebido, geralmente há algo de bom que pode ser dito a respeito delas. Enxergar o melhor do outro, em meio a possíveis críticas à sua conduta e ao seu caráter, é fator de evolução para o observador. A percepção e a exposição dos aspectos positivos da personalidade de alguém revelam um alto grau de respeito ao outro e de reconhecimento de valores superiores que são admiráveis, mesmo quando ainda não conquistados por quem os exalta. Vive-se o bom da vida quando se tem a certeza de que não sonegou a expressão, sempre que necessário, dos bons valores do outro.


Exraído do livro O bom da vida;

sábado, 10 de junho de 2017

Ser bem lembrado 1

Todo ser humano quer ser bem lembrado, pois a boa imagem pública que tem representa uma âncora psíquica que produz bem-estar e assegura o equilíbrio da Consciência. Todo ser humano conta com uma imagem positiva de si mesmo para obter vantagens em sua vida de relações, garantindo sucesso prévio ao que deseja alcançar. A formação desta imagem positiva requer uma base sólida na consolidação da autoestima e da valorização de si mesmo. Quanto mais o ser humano reconhece seus valores pessoais e os vive nas experiências bem-sucedidas que estabelece mais amplia e valoriza sua imagem positiva. O bom da vida implica em obter-se uma positiva imagem de si mesmo que possa garantir uma grande satisfação pessoal em existir.

Extraído do livro O bom da vida.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Amar alguém 8

Estar apaixonado por uma pessoa significa colocá-la em foco na consciência, dirigindo-lhe parte de suas emoções e sentimentos. Nem sempre isso é salutar, mas significa a presença do desejo de amar e ser amado. É também um dos exercícios que se pode fazer para um dia chegar-se ao amor pleno. Não se deve desprezar nenhuma forma de amor quando traga bem-estar a si e ao próximo. O apaixonamento, mesmo quando se apresenta de forma intensa e, às vezes, prejudicando o discernimento de quem o sente, deve ser considerado um estado que identifica alguém capaz de sentir e manifestar o amor. O bom da vida passa também pelo apaixonamento e pela coragem de se lançar ao amor, buscando senti-lo intensamente.

Extraído do livro O bom da vida.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Amar alguém 7

Amar uma pessoa, mesmo que na forma de uma união marital, é um exercício a caminho do amor pleno. Amar os filhos, os pais, os parentes, os amigos, bem como aqueles que nos favorecem de alguma forma, não é tão difícil quanto amar alguém que nos é estranho. O amor ao outro com quem não temos nenhum laço consanguíneo, em primeiro ou em segundo grau, exige uma maior entrega e superação de diferenças naturais. Quando há algum grau de parentesco, estabelece-se uma ligação que favorece a instalação do sentimento de amor. Quando Jesus afirmou “amai os vossos inimigos” quis talvez salientar o máximo de amor que se pode alcançar, além de salientar a necessidade da superação das diferenças. O bom da vida deve contemplar o amor a alguém com quem não se tenha qualquer relação em que a reciprocidade afetiva esteja implícita.


Extraído do livro O bom da vida.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Amar alguém 6

O grande desafio é amar alguém, pois as exigências de uma relação amorosa requerem habilidades múltiplas. Amar alguém é contracenar com o contraditório além de lidar com um espelho de si mesmo. O outro nunca estará passivo, independentemente de sua possível inércia, pois sempre provocará, por força da convivência, reações psicológicas em quem lhe dirige a atenção. Amar alguém opera transformações internas, profundas e salutares, extraindo de quem sente algo transcendente e renovador. O sentimento de amor promove a expressão do que o indivíduo tem de melhor em matéria de afetividade. A busca por amar alguém, quando destituída de ansiedade, quando não acontece como quem está mendigando, quando não se excede em exigências ao outro e quando não há humilhação pessoal constitui exercício importante para uma atualização da personalidade; esta busca deve ocorrer em paralelo ao exercício da doação de afetividade a pessoas que não a possui. Geralmente o ser humano quer ser amado e luta para encontrar alguém que o ame, esquecendo-se de que deve amar, simplesmente amar. O bom da vida deve ser alcançado em meio ao se experimentar amar alguém, ou ao de ter amado algum dia, cujo estado permite a compreensão da natureza íntima da alma humana.


 Extraído do livro O Bom da Vida.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Amar alguém 5

Amar a si mesmo é redundância, pois não se consegue viver sem gostar de algo característico da própria pessoa. Na formação do ego, inclui-se o gostar de alguma particularidade de si mesmo, inerente ao mundo íntimo, portanto, pertencente à personalidade. A ideia da constituição de uma pessoa, desde a infância, implica na evolução do sentimento de amor-próprio. O amor a si mesmo é inerente ao existir como pessoa no mundo, mesmo quando se tem pensamentos de desamor, de menos valia e de inferioridade consciente. A consciência do eu inclui um sentimento subliminar à própria pessoa, que a nutre e lhe mantém o gosto pela sua existência. Amar a si mesmo, em seu mais alto grau é, ao enxergar a sua própria alma, entendê-la em suas fragilidades, reconhecer-lhes as qualidades e integrar a imagem gerada como sendo sua identidade pessoal. O bom da vida deve ser vivido com o melhor sentimento possível a respeito de si mesmo, traduzido em reconhecimento e aceitação de sua singularidade.


Extraído do livro O bom da vida.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Amar alguém 4

Amar é unir-se, é conectar-se a alguém, é sentir-se unido sem retenção, é não se apropriar do outro. Quando amamos alguém, admitimos sua alma em nós, mas não entregamos a nossa ao outro, pois nem sempre ele saberá como nos conduzir à felicidade. Quem ama libera o outro para que alcance sua própria felicidade, sem exigências ou possessividade. Esse amor não exige, não mendiga, não pede, não se submete. É espontâneo e suave. Não se apequena com as adversidades nem se deixa enganar por frivolidades. Não é um sentimento piegas nem se confunde com demonstrações pueris e materiais de afetividade.


Extraído do livro O bom da vida.

domingo, 4 de junho de 2017

Amar alguém 3

Não se pode amar a Deus sem se experimentar o amor a outra pessoa. Podemos até aceitar que sejam formas diferentes de amar, porém ambas devem mobilizar o coração humano. O amor ao Criador passa pelo amor à criatura. Amar a Deus, ao Criador é, ao mesmo tempo, uma pretensão e uma abstração. Uma pretensão paradoxal por conta da definição e conceitos a respeito de Deus, os quais O colocam numa condição inacessível ao humano, portanto, levando o amor à abstração.Amar uma pessoa exercita a alma, vibra o coração, exala criatividade e energia de viver. Como ainda não encontramos a melhor forma de amar, adotamos inconscientemente e de uma maneira imatura, a paixão possessiva. Não sabemos amar como uma forma de união ao outro, mas nos apaixonamos como apropriação dele.


Extraído do livro O bom da vida.

sábado, 3 de junho de 2017

Amar alguém 2

A tradição cristã afirma que o maior mandamento é “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. Amar a Deus não é difícil, pois a relação que estabelecemos com a Divindade não gera tensões nem conflitos, muito menos é estabelecida pela Consciência. Ama-se o Divino pelo que se presume ser, projetando-se superlativamente todas as boas qualidades que gostaria de ter. O Deus concebido com aquelas qualidades não faria qualquer exigência nem tampouco criaria expectativas a respeito de Sua criatura. Mesmo que não se acredite em Sua existência, Ele, pelas qualidades atribuídas, ama indistintamente e, Seus crentes, inconscientemente, O amam também. O amor a Deus se manifesta, principalmente, no investimento de energia em favor da construção de um mundo melhor, promovendo o bem-estar pessoal e coletivo.


Extraído do livro O bom da vida.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Amar alguém 1

O bom da vida perpassa pelo alcance da capacidade de sentir o amor por alguém. Amar alguém é experiência transcendente que diferencia o ser humano dos animais e que promove a possibilidade de seu acesso a outras dimensões existenciais. Sem o amor, a vida entraria em estagnação, tornando-se o ser humano apenas um animal racional. A aquisição da capacidade de amar torna-o apto a ultrapassar a crença em Deus para alcançar o sentimento de amor por Ele. O bom da vida só pode ser alcançado completamente quando a pessoa sente o amor em seu coração. O amor é a forma mais pura de se comunicar com Deus. Sentindo as emoções na alma, vibra-se em consonância com o Criador da Vida. A relação do ser humano com o que concebe como sendo Deus passou pela adoração, pelo temor, pela fé, pela racionalidade para desembocar no sentimento de amor. Deus deve ser sentido a partir da conquista da capacidade de amar.


Extraído do livro O bom da vida.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Estar em boa companhia - Uma pessoa representa Deus 4

Todo ser humano é divino, pois se constitui a partir do que lhe foi possível, utilizando-se do que Deus lhe ofereceu. Suas deficiências e falhas decorrem de sua ignorância, razão pela qual se equivoca, cabendo-lhe modificar-se a partir da consciência de sua condição primitiva. Enxergar a face divina no humano, por mais que ele apresente o contrário, revela a grandeza de quem o consegue. Todo ser humano é dotado de compaixão, na medida em que lhe tocamos as profundas “feridas” que o levam ao sofrimento com o intuito de curá-las. Quando acolhemos alguém, despertamos-lhe os sentimentos de compaixão, favorecendo que sua alma se revele com um traço de Deus.


 Extraído do livro O bom da vida.