sábado, 12 de dezembro de 2009

Visão Quântica

A perspectiva espírita trazida por Allan Kardec e continuada por muitos médiuns e estudiosos do Espiritismo, é uma ideia particular da dimensão espiritual, que, no seu conjunto, produz na alma coletiva uma percepção acanhada, porém, não equivocada da realidade no Universo. Isso quer dizer que, o que de fato existe na dimensão espiritual, é muito maior e mais complexo do que é trazido ou mostrado pela doutrina do Espiritismo. Tudo decorre de limitações lingüísticas e de possibilidades de compreensão pelo espírito, em face de seu nível de evolução. É de fato necessário desconstruir ideias para se alcançar um novo saber, sem o que, não há progresso. A visão da vida espiritual muito próxima ou semelhante à da vida material representa uma limitação a ser ultrapassada para que o próprio espírito se perceba muito além dos limites estabelecidas por sua própria crença. Tal crença o aprisiona, mesmo que o leve a ver mais além do que o senso comum. O Espiritismo pode ir mais além, desde que seus estudiosos avancem sem medo de críticas ou anatematizações pelos seus pares.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Críticas

A crítica pública, no Movimento Espírita, que se faz aos médiuns é, muitas vezes, “um tiro no pé”. Parte-se do princípio que eles estão cometendo “erros doutrinários”. Não que se deva pactuar com inverdades que, de forma sutil, podem trazer prejuízos à compreensão do Espiritismo, não só contribuindo para manter as pessoas na ignorância, como também levá-lo ao descrédito. Deve-se questionar: quem detém a verdade ou o absoluto conhecimento das coisas e do funcionamento do Universo? Ninguém, exclusivamente, pode falar em nome do Espiritismo, cuja evolução decorre pela força das coisas e pelo natural desenvolvimento do saber humano, portanto não é um conhecimento acabado. Mesmo que se afirmem barbaridades ou se exercite práticas condenáveis, nada pode obstaculizar o progresso; sendo assim, o Espiritismo seguirá firme e cada vez mais robusto. É preciso analisarmos o açodamento em denegrir pessoas, sem que se apresentem argumentos consistentes e estudos aprofundados a respeito deste ou daquele tema, considerado “antidoutrinário”. O perigo de tudo isso é a cristalização de ideias, que significaria a criação de dogmas. Muitas vezes, quem se opõe às idéias dos outros não tem consistência nas suas. O debate deve ser amplo, mas sem condenação prévia. As ideias e princípios espíritas devem ser conhecidos e absorvidos, porém, sempre interpretados de forma contextualizada.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Religião e Religiosidade

Nem sempre é possível ao ser humano alcançar a exigência que lhe faz o ideal de pessoa que constrói a cada encarnação. Geralmente projeta uma personalidade a ser alcançada muito além de sua própria capacidade de sustentar. Via de regra, para o delineamento dessa idealização de si mesmo, recebe a contribuição da religião, que, exigindo a pureza e perfeição do espírito, lhe põe em cheque mate em face do julgamento negativo que o enquadra. Por esse motivo, religião não é realizadora. A religiosidade sim, pois é a vivência do sagrado dentro dos limites do possível a cada pessoa. É o sentimento interno da origem divina de si mesmo, bem como de idêntica destinação. A tolerância religiosa é mais do que o respeito externo à opção e identificação de alguém com uma religião. É sobretudo a percepção da religiosidade interna do outro, expressa na religião escolhida. A religiosidade é um espectro de atitudes vinculadas ao propósito de construir uma sociedade produtiva, feliz e que se desenvolve na direção do amor, bem como na busca da compreensão do mistério da vida. A religião pessoal e a religiosidade da pessoa coincidem, pois atendem a conexão com o divino, no estágio de evolução em que se encontra o espírito. Nessa perspectiva de religiosidade, as possibilidades de crescimento espiritual ficam mais acessíveis, menos pesadas e assimiláveis por todos. A disseminação da religiosidade unifica a irmana todos os crentes de todos os credos e culturas.

domingo, 22 de novembro de 2009

Mais que Divulgar: Aprofundar

Divulgar os princípios do Espiritismo, constitui-se numas da formas de contribuir para sua expansão. Isso é feito pela grande maioria das instituições e dos espíritas espalhados pelo mundo. Providencia necessária e útil, porém, não única. Sem reflexões e aprofundamento, com interdisciplinaridade, corre-se o risco da constituição de dogmas cristalizadores. Tem sido assim com toda as religiões, com o intuito de esclarecer novos adeptos com antigas verdades, buscando a ampliação de seu quantitativo. Tais verdades necessitam de novas reflexões e atualizações. Num Universo agora visto como Quântico, não cabem fixações de conceitos. Congressos, estudos acadêmicos, debates transdisciplinares, grupos de discussão na internet, bem como meios particulares de reflexão sobre o Saber Espírita têm se tornado o grande veículo de aprofundamento daqueles princípios. Como disse Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, "O Espiritismo anda no ar". Ainda bem que o vento se movimenta e se refunde com outros ares.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Realizar-se

Realizar a essência de si mesmo é autodeterminar-se, tornando-se autor do próprio destino, senhor de sua existência, compartilhando-a. Essa realização contempla conhecer, trabalhar, cooperar e amar. Conhecer-se, isto é, compreender seus próprios processos psíquicos e como estabelecer com o universo uma relação criativa em favor da construção de algo novo e melhor para si e para todos. Trabalhar para construir uma sociedade de idênticas oportunidades a todos, integrando a si mesmo o que resulta das experiências vividas. Cooperar é auxiliar o outro para evoluir junto, como seu semelhante, rompendo a barreira do egoísmo. Amar para assimilar o plano de Deus em si mesmo. A consciência de que se é um espírito imortal é condição imprescindível para esse mister. Realizar-se é ser proprietário de si mesmo.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O Novo

O novo atrai. Brilha como fogo, aos olhos mais perscrutadores. Fascina, obrigando à formação de uma idéia, mesmo que inicialmente incompreensível. O novo é o renascimento, é a alvorada depois de uma noite escura e tenebrosa, entregue aos monstros do inconsciente. Sua energia vence o cansaço de antigas idéias escravizantes e doentes. O novo é como a criança, que sempre trás algo diferente ao mundo, após seu nascimento. O ciclo compreendido entre o dormir e o acordar, imposto naturalmente à consciência, produz a sensação de que sempre haverá um amanhã, vivo, aberto e disponível à criatividade. Grandes idéias surgiram após períodos curtos ou longos de sono. Na madrugada, o inconsciente fervilha, oferecendo, posteriormente, à consciência, sua produção do novo. Nada retira a certeza interna que existe em cada Espírito, de que possui em si mesmo a capacidade de se renovar resilientemente.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Todos

Todos nascem. Ainda bem que nada impede a vida de acontecer, nem o novo de surgir.

Todos passam pela infância. Ainda bem que a ingenuidade acontece primeiro, educando-nos a confiar.

Todos brigam em alguma fase da vida. Ainda bem que aprendemos o valor da disputa e a importância da solidariedade.

Todos um dia experimentam perdas. Ainda bem que descobrimos a importância de não se ter a posse permanente das coisas e de pessoas.

Todos querem viver um amor. Ainda bem que desejamos sempre o melhor.

Todos adoecem. Ainda bem que experimentamos a fugacidade da vida física.

Todos morrem. Ainda bem que o novo sempre vem na dimensão espiritual para que a vida aconteça e reinicie seu ciclo.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Uma Onda

Uma onda paira no ar, sutilmente atingindo cada ser humano. Não vem da mídia, nem da política, tampouco das religiões. Manifesta-se nas esquinas, nos ambientes domésticos, nas crianças e nos mais velhos. Ela não pergunta o sexo da pessoa, a condição sócio-econômica, a etnia e nem mesmo a idade. Parece vir de longe, como um sussurro do vento, como um raio do sol, como a água que escorre da montanha. Seu nome está escrito em todos os eventos da história e em todas as culturas. Nada consegue impedir seu avanço e sua conexão com a consciência de cada pessoa no planeta. Penetra com suavidade e com firmeza no coração dos mais empedernidos, na alma dos mais atormentados e na razão dos mais críticos. Essa onda é a consciência de que o ser humano é um espírito imortal, senhor do universo, fruto do amor e da Vontade Divina. Somos todos. Sempre seremos. Nada nos destrói. Algo nos conduz: a multiplicação da onda espiritual, a integração da ideia de ser um espírito à própria consciência.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Incompletude

O ser humano vive em constante incompletude. Nenhum cidadão, qualquer que seja o país de origem, sente-se satisfeito em sua cultura. Se do sul, deseja conhecer o norte, se do frio, deseja estar no calor, se capitalista almeja o socialismo, se rico quer descobrir como vivem os pobres; e vive-versa. Ninguém se sente completo em lugar algum. Sempre falta alguma coisa para fazer um ser humano feliz e satisfeito plenamente. A movimentação das pessoas na Terra, de um lado para outro, em busca e algo que as complete, representa a ânsia pela vida. São turistas à procura de satisfação na estética de paisagens que lhes despertem motivações, nas experiências que pretendem viver nas diferentes culturas que visitam e nas novas relações sociais que estabelecem. Porém, inegavelmente, só uma coisa completa o ser humano: o amor que ele doa, pois retorna automaticamente na forma de satisfação em existir e nas conexões profundas que estabelece.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Evangelho

Muitas palavras são ditas e escritas desde os mais remotos tempos. Muito ainda precisa ser dito por palavras e em textos. Algumas marcaram o humanidade, não apenas por quem foram pronunciadas ou pela quantidade de palavras, mas principalmente pelo conteúdo que expressavam. Algumas ecoarão para sempre no coração dos seres humanos, até que compreendam as verdades nelas representadas. Assim são as palavras do Evangelho. Trazem um profundo significado, relevante para a autotransformação e para o encontro com o divino em cada um. Sua aplicação proporciona alegria, felicidade, realização e iluminação. Todos que entram em contato com sua mensagem, experimentam a leveza e a sensação da presença divina em todas as coisas. O convite ao perdão, à caridade e ao amor ao próximo, revela o sentido profundo nele contido, cuja compreensão é necessária aos propósitos de ascensão àqueles que entrarem em contato com sua mensagem transformadora. Conhecer, praticar e divulgar são importantes passos para que o mundo se torne melhor de se viver. A mensagem do Evangelho é essencialmente a do amor, motivo principal daquele que se revelou o modelo e guia para a Humanidade: Jesus.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Designação Pessoal

Sem dúvida alguma, a vida de cada pessoa precisa ser decifrada, ser compreendida e realizada. Designação pessoal é o encontro com a própria identidade essencial. Trata-se da integração de todas as características da personalidade à consciência. Não se trata de descobrir a missão no mundo, mas a aquisição da consciência do que se é e do que pretende ser, tendo por base o espírito imortal que se percebe ser. A designação pessoal, quando percebida, promove um bem estar pela sintonia que o individuo mantém com as forças criativas da Natureza e com o Princípio Organizador da Vida. A vida se torna mais leve, mais próxima do que se considera o reino dos céus no interior da própria alma. É possível perceber esse estado em pessoas em cuja presença tudo flui de forma criativa, suave e prazerosa. Sua busca se inicia na integração dos aspectos sombrios da personalidade e na adoção da consciência sem culpa.