sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Além da Dialética

A dialética tem sido a opção própria mais viável para se fazer escolhas. Parece que tudo obedece à dualidade. Há o bem e o mal, o claro e o escuro, o perto e o longe, o alto e o baixo, o interior e o exterior, o sim e o não, o zero e o um, o sentimento e a razão, dentre outros pares de opostos. A civilização surge em meio aos opostos, prevalecendo ora um ora outro, influenciada por uma das polaridades. Por muito tempo pensou-se que a consciência é dualidade, porém, após descobrir-se, com o advento das dimensões quânticas universais, as probabilidades em tudo, a dualidade deu lugar às múltiplas possibilidades de escolhas. Pelo menos há um terceiro para tudo, que nem sempre é a síntese daqueles opostos. Faz-se necessário exercitar a mente para transcender à dialética, praticando o exercício de enxergar a realidade pelo olhar do Espírito, pois há muitos outros caminhos e possibilidades que de fato existem quando se pretende fazer escolhas. Limitar-se a “isso ou aquilo” é estreitar a mente, que é o organismo do Espírito que o capacita a conceber a existência do Criador. Ir além da simples escolha entre duas opções é capacitar a mente a enxergar horizontes espirituais mais amplos. Ir sempre mais além é exigência da autopercepção da condição de ser um Espírito, imortal, proprietário de si mesmo e senhor do Universo. Perceba sempre que há mais de duas polaridades em tudo e tente optar por uma terceira, melhor e mais adequada a evolução do Espírito que você é.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Uma Nova Vida

O descortinar de uma nova vida, em continuidade a vivida no corpo físico, surpreende a qualquer um, pela constatação da grandeza de Deus, ao proporcionar, a todos, a imortalidade do Espírito. A criatividade dos artistas, as pesquisas dos cientistas, a bondade dos generosos, as missões dos altruístas, o amor dos felizes encontram maior campo de realizações do que no corpo físico, pois novas e diferentes possibilidades de desenvolvimento, crescimento e realizações surgirão. Dar continuidade a trabalhos iniciados, reencontrar antigos afetos, relembrar velhas histórias, que sustentaram corações e engrandeceram a alma serão eventos que trarão grande satisfação. O campo da vida fora da matéria é o shangrilá tão desejado intimamente por todos e que, e fato, existe, ao menos na mente daqueles cujo coração está repleto de amor para ser vivido. Fora da matéria, na dimensão do Espírito, há um horizonte novo para todos. A ideia de que haverá sofrimento e dores, não deverá ser evocada, pois, aqueles que estão nessa faixa de pensamento, adiam sua própria felicidade. Uma sempre nova vida a ser vivida nos espera. Não tema. Confie e ame sempre.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Unidade

É importante que cada pessoa encontre sua própria unidade, sua natureza no mundo, sua forma pessoal de ser, além disso, que essa condição seja produtiva para a sociedade. Ter a consciência de que, aquilo que de fato você é, diferente de qualquer outra pessoa, é um fator importante para o progresso da sociedade em que se vive, sem qualquer vaidade nisso, nem acreditar-se um missionário. Isso significa ter encontrado o significado de estar vivendo a consciência do sentido da própria vida. Quando isso ocorre, o coração vibra em sintonia com o Universo, pois o amor encontrou sua morada definitiva. É como escutar o que o vento diz, cheirar o perfume suave das estrelas, degustar o sabor real do alimento da alma, ver a linha tênue do horizonte, bem como sentir o divino pulsando em si mesmo. Quando a paz é conscientemente buscada, a quietude da alma aquece o Espírito para o compartilhamento de realizações superiores. Sua Unidade é seu universo, é sua morada e sua real identificação. O encontro consigo mesmo é estar em constante companhia com as forças superiores do Universo.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Sua Luz

Encanta-me quando sinto a energia amorosa gerada por alguém que, sem o querer, a transmite suavemente. Quando encontro pessoas assim, percebo que elas estão conectadas às forças criativas da Natureza; são elementos vivos que vinculam os Universos em suas infinitas dimensões. Elas se tornam fonte e canal para tudo que favorece a vida. Costumam promover o outro, fomentando o amor, fonte de todas as possibilidades. Emitem, naturalmente, uma tênue, mas penetrante luz, cuja frequência favorece o surgimento de propriedades curativas, renovadoras e determinantes para ações construtivas. O brilho que geram, afasta a escuridão reinante, favorecendo os caminhos de quem lhes compartilham a existência. Em seu convívio, mentes em desequilíbrio são beneficiadas, propiciando que acordem e que o divino se manifeste. São almas, cuja luminosidade se propaga especialmente para alegria de Deus, no Universo. Não é difícil encontrar essas pessoas. São silenciosas, são facilitadoras, são felizes, são compreensivas, seus olhos são cativantes e possuem o coração disponível para o amor. Outro dia vi uma delas trabalhando como empacotadora de compras num mercado. Disse o Cristo: “Brilhe a Vossa Luz”.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Convite

Venha. Aproxime-se. Quero lhe apresentar uma pessoa especial. Vive sempre o presente e considera que o amanhã é uma luz que se aproxima sem pressa. Sua consciência de nada lhe acusa, pois sabe que a razão é movida pelo confronto e pelo preconceito. Tem, em si mesmo, a certeza da continuidade de seu eu, independentemente do próprio sensório. Confia na Vida que cria a vida e na certeza de sua própria relevância no Universo. Ama, sabe amar e exala amor a todo momento. Descobre, a todo instante, o sentido de sua existência, dando significado ao que se defronta, fazendo fluir a vida no ritmo do Criador. É, de fato, uma personalidade ótima, sempre disponível ao contato, ao encontro e ao compartilhamento de sentimentos. Usufrua de sua adorável companhia. Conheço-a porque te conheço. Essa pessoa mora em você mesmo, mas teima em não se mostrar.

domingo, 5 de dezembro de 2010

O Caminho da Vida

O caminho da vida é o coração. Ele é como um grande porto num imenso oceano navegável. Por ele passam todas as lutas e experiências da alma. Navegantes de todos os mares sabem de sua grandiosidade e do quanto se valem de suas poderosas amarras para se sentirem pertencentes, isto é, vinculados a algo transcendente. O caminho da vida é o amor que acontece no coração, lugar íntimo dos encontros profundos. É nele onde se encontram os gritos e os sussurros dos que se escondem do tempo de viver. É em seu seio nutridor que as dores e as alegrias encontram formas de expressão. Os heróis se valem dele para adquirir coragem para as maiores batalhas. Suas forças são alimentadas pela energia que perpassa em suas vias amorosas. O sentido e o significado da vida são decifrados por aqueles que têm coragem de viver seus mais profundos sentimentos, a serviço da vida. Não há como fugir ou alienar-se do próprio coração. Deus fez a razão para que o ser humano entenda o que se passa em seu coração. É também nele que o Espírito se revela a si mesmo e ao mundo.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Angústia da Alma

Angústia é o sintoma para indicar que o coração quer falar, mas não há linguagem capaz de traduzi-lo. É um peso que a alma sente e que necessita ser aliviada. É a dor de existir sem conseguir suportar a falta de algo indefinido e que lhe complete a ânsia da vida em querer se expressar. É doença que sufoca o peito, sugando-lhe a energia de viver e de agir de forma livre e autodeterminada. Compara-se a uma saudade de alguém que muito se ama e que já não se consegue mais aguentar. Sua cura se torna possível na conexão que se alcança com o divino, que a tudo permeia e que tudo completa, possibilitando um encontro doce e misterioso com o Criador. Só, de fato, o amor é capaz de resolver a angústia da alma, elevando-a ao máximo sentimento alcançável pelo ser humano. Amar; amar sempre e nunca deixar que nada possa impedir sua expressão. Quando o amor está presente no coração humano, nada pode ser condenável ou discriminado. O amor é a força propulsora do Universo. Amemos sempre.

domingo, 21 de novembro de 2010

A outra margem

Todos querem ir a outra margem do rio. Ultrapassar obstáculos, desbravar fronteiras, conhecer o desconhecido, extrapolar limites, cometer alguma hybris. Essa é a razão do progresso, pois nasce do desejo de sair da condição meramente humana e transcender ao divino. Todos devem quer ir adiante, alcançando as fronteiras do conhecimento, não se contentando com o óbvio ou o que acomoda a mente. Alçar vôo na direção do que foi proibido ao humano, do que não lhe foi permitido por Deus, paradoxalmente, deve ser desejo de todos. Limites psíquicos são convites ao crescimento. Quem pensou num paraíso, com regras previamente estabelecidas para que o humano ali habitasse indefinidamente, esqueceu-se da inteligência e amorosidade do Criador, pois, ele mesmo, proporcionou o surgimento dos opostos para incitar o humano a integrá-los. Todo mar deve ser desbravado, toda dor deve ser eliminada, todo espaço deve ser conquistado, todo horizonte dever ser ultrapassado, toda a ignorância deve ser vencida, toda a vida deve ser vivida com amor. Na outra margem haverá sempre o oposto.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Quero uma Religião

Quero uma religião que não me proíba, mas que me eduque; que não me incrimine, mas que me ofereça soluções; que não me reprima, mas que me ensine a encontrar melhores formas de expressão; que não me condene, mas que ofereça um adequado senso de justiça; que não me inferiorize, mas que me aproxime do Criador da Vida. Quero uma religião que me deixe sorrir nas manhãs de domingo, permitindo que minha prece seja o olhar para a natureza. Quero uma religião que, nos dias mais escuros do meu viver, dela não me lembre quando sentir medo e nela não me abrigue feito criança em consolações pueris. Quero uma religião que me incentive a oferecer rosas aos doentes e a levar alegria aos enterros, e a só chorar quando souber que a dor foi compreendida e que o morto vive e está bem. Quero uma religião que me oriente a reverenciar a inocência e a aplaudir de pé os que respeitam a sabedoria dos mais velhos. Quero uma religião que possa encontrá-la com quem estiver, por onde for, também no coração dos que ferem e gritam achando ter razão. Quero uma religião que abrigue aqueles que se arriscam em viver e abençoe os que se perdem nos labirintos escuros da própria ignorância. Quero uma religião que possa senti-la na compaixão, seja com a abundância dos perdulários ou com a miséria dos aparentemente incapazes, sem que me falte a necessária solidariedade. Quero uma religião que me faça sentir irmão de quem me contraria ou me rouba a esperança, também dos que me reverenciam inocentemente. Quero uma religião que retire a venda de minha cegueira, sem me tirar a ignorância completa, educando-me para a continuidade do aprendizado. Quero uma religião que não exclua nem estigmatize nenhuma criatura, nem crie castas de eleitos ou de salvos pela adoção de princípios lógicos. Quero uma religião cujo cântico e cuja liturgia incluam a voz da alma e o pulsar dos corações, para que um dia, quando não mais precisar de nada, eu encontre a mim mesmo.

sábado, 30 de outubro de 2010

Mito e Psiquê

O mito é uma construção psíquica favorável à manutenção do equilíbrio da consciência. Sem ele, o ser humano estaria à mercê dos perigos de seu próprio inconsciente. Ele é forjado automaticamente para a manutenção da relação entre a consciência e o inconsciente. Os primeiros mitos que apareceram na consciência foram palavras ou expressões verbais, que depois foram transformadas em sinais. Posteriormente surgiram os mitos cosmogônicos e os que tentavam explicar o comportamento humano. Entre todos os mitos, os que representavam aspectos religiosos da psiquê humana são de fato os forjadores das religiões coletivas. Muitos ainda permanecem vivos, e outros foram dissolvidos pela compreensão adequada de seus significados. Mitos nascem e morrem cotidianamente. Suas raízes se encontram no mistério, na complexidade e nas profundezas do psiquismo humano. Alguns dogmas religiosos apontam diretamente para eles. São indecifráveis como o é a natureza de Deus.

sábado, 16 de outubro de 2010

Jornada

O ser humano é o mesmo espírito que vem, há milênios, buscando se encontrar. Seu olhar ainda não é completo. Seu instrumento para isso, o ego, ainda não está totalmente maduro. Muitos fatores interferem em sua percepção. Ele ainda não aprendeu que não precisa ver tudo, mas apenas o essencial. Deve entender que, para conhecer as coisas, é preciso dar a volta sobre si mesmo, olhando para seu próprio mundo interior. Não percebe, em sua momentânea cegueira, que Deus se escondeu em seu inconsciente. Acumula muita coisa no seu egoísmo e orgulho em excesso. Chegará um tempo em que estará pronto para encontrar e perceber a divindade. Um dia, quando liberto de seus próprios medos e preconceitos, tecidos pela ignorância em relação ao divino e a si mesmo, alcançará a liberdade de pensar uma Religião Pessoal. O caminho será longo, mas extremamente valioso para si mesmo. Quando então iniciar seu processo de vivência da Religião Pessoal, sofrerá reveses por conta das próprias armadilhas que criou, medroso de se perder nos labirintos complexos de sua psiquê religiosa. E os reveses acontecerão por conta, principalmente, do desejo infantil de salvar-se de algo que idealizou como sendo uma tragédia. Inconscientemente acredita que um grande perigo o ameaça e que o levará a ser banido eternamente. Teme o que ele próprio construiu. Sua mente ainda está estruturada na dialética bem x mal. Teme o abandono divino, qual criança apegada à mãe, temendo perder-se dela.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Eleições

Realmente o dia de votar é uma grande festa. Festa da Democracia e da oportunidade de fazer escolhas, mesmo que sejam no escuro. Vota-se, mas não se sabe do desempenho futuro dos candidatos escolhidos. Promessas, expectativas e competição são a tônica de todo o período que antecede o pleito. Tudo em nome da condução política do país. Mesmo que ocorram abusos, irregularidades e injustiças, as eleições acabam por nivelar o povo. O voto do mais rico tem o mesmo peso do voto do mais pobre. A igualdade é incontestável. Isto representa o direito de escolha e de manifestação da liberdade. Espiritualmente vê-se o livre-arbítrio e a consciência de que participa-se do destino coletivo. Ainda não temos um sistema que escolha os governantes e administradores da coisa pública que coloque os melhores e mais capazes de dirigir a sociedade em favor de todos. Isso ocorrerá na medida em que cada cidadão pense e queira o melhor para todos. Em última análise, quando o egoísmo ceder lugar para o amor. O amor é a força propulsora do Universo e sentimento mais profundo que há na alma humana.