domingo, 21 de novembro de 2010

A outra margem

Todos querem ir a outra margem do rio. Ultrapassar obstáculos, desbravar fronteiras, conhecer o desconhecido, extrapolar limites, cometer alguma hybris. Essa é a razão do progresso, pois nasce do desejo de sair da condição meramente humana e transcender ao divino. Todos devem quer ir adiante, alcançando as fronteiras do conhecimento, não se contentando com o óbvio ou o que acomoda a mente. Alçar vôo na direção do que foi proibido ao humano, do que não lhe foi permitido por Deus, paradoxalmente, deve ser desejo de todos. Limites psíquicos são convites ao crescimento. Quem pensou num paraíso, com regras previamente estabelecidas para que o humano ali habitasse indefinidamente, esqueceu-se da inteligência e amorosidade do Criador, pois, ele mesmo, proporcionou o surgimento dos opostos para incitar o humano a integrá-los. Todo mar deve ser desbravado, toda dor deve ser eliminada, todo espaço deve ser conquistado, todo horizonte dever ser ultrapassado, toda a ignorância deve ser vencida, toda a vida deve ser vivida com amor. Na outra margem haverá sempre o oposto.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Quero uma Religião

Quero uma religião que não me proíba, mas que me eduque; que não me incrimine, mas que me ofereça soluções; que não me reprima, mas que me ensine a encontrar melhores formas de expressão; que não me condene, mas que ofereça um adequado senso de justiça; que não me inferiorize, mas que me aproxime do Criador da Vida. Quero uma religião que me deixe sorrir nas manhãs de domingo, permitindo que minha prece seja o olhar para a natureza. Quero uma religião que, nos dias mais escuros do meu viver, dela não me lembre quando sentir medo e nela não me abrigue feito criança em consolações pueris. Quero uma religião que me incentive a oferecer rosas aos doentes e a levar alegria aos enterros, e a só chorar quando souber que a dor foi compreendida e que o morto vive e está bem. Quero uma religião que me oriente a reverenciar a inocência e a aplaudir de pé os que respeitam a sabedoria dos mais velhos. Quero uma religião que possa encontrá-la com quem estiver, por onde for, também no coração dos que ferem e gritam achando ter razão. Quero uma religião que abrigue aqueles que se arriscam em viver e abençoe os que se perdem nos labirintos escuros da própria ignorância. Quero uma religião que possa senti-la na compaixão, seja com a abundância dos perdulários ou com a miséria dos aparentemente incapazes, sem que me falte a necessária solidariedade. Quero uma religião que me faça sentir irmão de quem me contraria ou me rouba a esperança, também dos que me reverenciam inocentemente. Quero uma religião que retire a venda de minha cegueira, sem me tirar a ignorância completa, educando-me para a continuidade do aprendizado. Quero uma religião que não exclua nem estigmatize nenhuma criatura, nem crie castas de eleitos ou de salvos pela adoção de princípios lógicos. Quero uma religião cujo cântico e cuja liturgia incluam a voz da alma e o pulsar dos corações, para que um dia, quando não mais precisar de nada, eu encontre a mim mesmo.

sábado, 30 de outubro de 2010

Mito e Psiquê

O mito é uma construção psíquica favorável à manutenção do equilíbrio da consciência. Sem ele, o ser humano estaria à mercê dos perigos de seu próprio inconsciente. Ele é forjado automaticamente para a manutenção da relação entre a consciência e o inconsciente. Os primeiros mitos que apareceram na consciência foram palavras ou expressões verbais, que depois foram transformadas em sinais. Posteriormente surgiram os mitos cosmogônicos e os que tentavam explicar o comportamento humano. Entre todos os mitos, os que representavam aspectos religiosos da psiquê humana são de fato os forjadores das religiões coletivas. Muitos ainda permanecem vivos, e outros foram dissolvidos pela compreensão adequada de seus significados. Mitos nascem e morrem cotidianamente. Suas raízes se encontram no mistério, na complexidade e nas profundezas do psiquismo humano. Alguns dogmas religiosos apontam diretamente para eles. São indecifráveis como o é a natureza de Deus.

sábado, 16 de outubro de 2010

Jornada

O ser humano é o mesmo espírito que vem, há milênios, buscando se encontrar. Seu olhar ainda não é completo. Seu instrumento para isso, o ego, ainda não está totalmente maduro. Muitos fatores interferem em sua percepção. Ele ainda não aprendeu que não precisa ver tudo, mas apenas o essencial. Deve entender que, para conhecer as coisas, é preciso dar a volta sobre si mesmo, olhando para seu próprio mundo interior. Não percebe, em sua momentânea cegueira, que Deus se escondeu em seu inconsciente. Acumula muita coisa no seu egoísmo e orgulho em excesso. Chegará um tempo em que estará pronto para encontrar e perceber a divindade. Um dia, quando liberto de seus próprios medos e preconceitos, tecidos pela ignorância em relação ao divino e a si mesmo, alcançará a liberdade de pensar uma Religião Pessoal. O caminho será longo, mas extremamente valioso para si mesmo. Quando então iniciar seu processo de vivência da Religião Pessoal, sofrerá reveses por conta das próprias armadilhas que criou, medroso de se perder nos labirintos complexos de sua psiquê religiosa. E os reveses acontecerão por conta, principalmente, do desejo infantil de salvar-se de algo que idealizou como sendo uma tragédia. Inconscientemente acredita que um grande perigo o ameaça e que o levará a ser banido eternamente. Teme o que ele próprio construiu. Sua mente ainda está estruturada na dialética bem x mal. Teme o abandono divino, qual criança apegada à mãe, temendo perder-se dela.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Eleições

Realmente o dia de votar é uma grande festa. Festa da Democracia e da oportunidade de fazer escolhas, mesmo que sejam no escuro. Vota-se, mas não se sabe do desempenho futuro dos candidatos escolhidos. Promessas, expectativas e competição são a tônica de todo o período que antecede o pleito. Tudo em nome da condução política do país. Mesmo que ocorram abusos, irregularidades e injustiças, as eleições acabam por nivelar o povo. O voto do mais rico tem o mesmo peso do voto do mais pobre. A igualdade é incontestável. Isto representa o direito de escolha e de manifestação da liberdade. Espiritualmente vê-se o livre-arbítrio e a consciência de que participa-se do destino coletivo. Ainda não temos um sistema que escolha os governantes e administradores da coisa pública que coloque os melhores e mais capazes de dirigir a sociedade em favor de todos. Isso ocorrerá na medida em que cada cidadão pense e queira o melhor para todos. Em última análise, quando o egoísmo ceder lugar para o amor. O amor é a força propulsora do Universo e sentimento mais profundo que há na alma humana.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Descoberta

Gosto quando descubro que não tenho controle sobre algo, quando constato que não domino determinado assunto, quando percebo que não determino sobre meus sentimentos, quando reconheço que meus argumentos não são tão consistentes como pensava, quando sinto desconforto perante alguém ou em algum lugar, quando algo se opõe categoricamente contra mim, quando atesto minha inferioridade diante de alguém, quando assumo que minha inteligência não alcança alguma ideia, quando me sinto impotente diante da doença, quando me faltam forças para vencer um obstáculo, quando sou preterido sendo o mais apto, quando tudo parece conspirar contra mim, quando me vejo em completa inadequação, quando me recolho ante o inevitável, quando minha liberdade é cerceada, quando me roubam a ideia, quando perco em competição, quando meus limites me impedem de vencer, e, principalmente, quando minha enorme sombra aparece. Gosto porque posso dizer em alto e bom som: sou um ser humano e tenho todas as possibilidades de superação, resiliência e autodeterminação.

domingo, 12 de setembro de 2010

Corpo, Mente e Espírito

Todo médico, consciente de seus conhecimentos e sem sectarismo científico, compreende que há limites para o campo da medicina. O corpo, sujeito da ação prática do saber médico, se apresenta como um todo, no qual circulam energias a serviço da mente que o controla e dele recebe estímulos diversos. Por si só, seu funcionamento não explica o fenômeno da vida consciente, muito menos todas as capacidades intelectivas e emocionais do ser humano. A medicina já se queda diante das chamadas Terapias Complementares, dentre elas, o Passe, a Oração intercessora em favor da cura. Pode se notar a grande influência que questões espirituais têm na classe médica pela grande quantidade de espíritas entre eles. Aos poucos o espiritual vai se impondo ao material no seio da nobre profissão. Depoimentos de diversos médicos, independentemente de suas crenças, relatam fenômenos mediúnicos que ocorrem nos hospitais, sobretudo em pacientes terminais e em Centros Cirúrgicos. Já não bastam as medicações prescritas nem as recomendações de se adotar uma vida moderada no tratamento das doenças, pois existem processos gerados na intimidade do Espírito, cuja morbidade exige uma ação mais profunda, com utilização de outros métodos mais adequados. As recomendações médicas têm ultrapassado os limites do convencional. É hora de admitirmos, ao menos à própria consciência, que não se trata mais de uma questão religiosa, nem de fé, mas de lógica e de avanço do saber humano.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Forças Superiores

Um contato com as forças superiores do Universo, com o que existe de mais misterioso, por detrás de tudo que a consciência humana já foi capaz de conceber, com o grande enigma, com o mais oculto do oculto ou com o que considera ser Deus, deve levar o ser humano a uma espécie de êxtase que se assemelha a um surto que beira a psicose. Tudo aprece indicar que, no êxtase dos místicos, considerado como a mais profunda conexão com o divino, inicia-se pela entrada em contato com o próprio inconsciente. Experimentar aquele real contato é para poucos; é para os que se arriscam em viver sua mais audaciosa viagem interior, desconectando-se do ego e das circunstâncias materiais, sem sair do mundo. Depois desse contato, sendo breve ou longo, de minutos, de dias, de meses ou de anos, decorre um período de intensa criatividade que, em geral, se demora por muito tempo. Alguns tentam sentir ou viver aquele contato por vias artificiais, muitas vezes sem a estrutura necessária para suportar o encontro com seu próprio inconsciente, utilizando-se de entorpecentes sem os devidos cuidados, arriscando-se desregradamente a se perderem no próprio inconsciente ou vítima de obsessões espirituais perigosas. Talvez devêssemos experimentar, escutando a própria alma com o coração e com o mais profundo amor à vida, às pessoas e a si mesmo.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Espiritualidade maior

A maior espiritualidade que se pode apresentar é aquela que se reflete na forma de sentimentos e de ações em favor da consciência de si mesmo, como um ser autodeterminado. Isso implica num domínio dos próprios potenciais interiores para viver a complexidade da vida em prol de si mesmo, do próximo e para a construção de uma sociedade harmônica. Aqueles potenciais contemplam o desenvolvimento da autopercepção da imortalidade pessoal, bem como da natural intercomunicação entre os espíritos de diferentes dimensões. Onde é aplicada a sua espiritualidade? Apenas na instituição religiosa? Nas horas de aflição? Nas orações petitórias à Deus? Ou é aplicada como lastro essencial e constante dos pensamentos e motivações que alicerçam o viver, ou então será retórica para calar temporariamente as dores da alma, sem erradicá-las definitivamente. Nossa espiritualidade deve ser o ar que respiramos, formando uma psicosfera de amor, de luz e de paz que exalam no Universo. A vivência dessa espiritualidade deve começar dentro de si e, principalmente, no ambiente doméstico.

domingo, 1 de agosto de 2010

Células Tronco

O uso de células embrionárias humanas, entendidas como células matrizes, passíveis de serem diferenciadas, tem sido cada vez mais comum, bem como largamente estudadas para fins terapêuticos. Pelas leis brasileiras, as células podem ser obtidas de embriões humanos inviáveis ou congelados a mais de três anos, com consentimento dos pais. Esses estudos permitirão o tratamento, com grande chance de cura, de várias doenças e de anomalias orgânicas. Não demorará muito, como de fato já vem acontecendo, a Natureza tenderá a diversificar seus métodos de educação ao espírito, isto é, sem doenças, sem sofrimento e sem estigmas orgânicos. O ser humano, cada vez mais maduro, responsável e evoluído, manipula a matéria a serviço da Vida e da realização de sua natureza essencial. Um dia, com sabedoria, será capaz de programar completamente um corpo humano, escolhendo suas principais características, a serviço do aprimoramento do espírito, como fazem aqueles mais evoluídos, desencarnados, planejadores de encarnações especiais. Gradativamente o conhecimento já adquirido no Mundo Espiritual se transfere para a Terra, por via de uma Ciência aplicada a serviço da vida e do bem estar humano.

sábado, 17 de julho de 2010

Designação Pessoal e Individuação

C. J. Jung estabeleceu o conceito de Individuação como processo de síntese ou de realização do Si-mesmo, isto é, tornar-se o ser único que se é. Isso implica num esforço de encontrar sua própria singularidade. A designação pessoal é a propriedade de si mesmo, compreendendo o que se é e para que existe. É o encontro com sua natureza e para que ela deve acontecer no mundo. Não se trata de descobrir uma missão pessoal, nem, tampouco fazer coisas ou realizar projetos para deixar sua marca no mundo, mas uma integração de sua essência à própria Consciência. Ao entender estes dois processos, captando o que significam e de que ideia se originaram, pode-se pensar que o espírito imortal vive para encontrar essa possibilidade de compreender-se, muito além de sua vida de relações, porém necessitando dela. O processo de viver e desenvolver-se de forma transcendente não é apenas uma experiência mística, mas uma atividade que também ocorre nas atividades do cotidiano da vida. A Designação Pessoal é a meta do ser humano realizado e feliz, que encontrou sua singularidade. É evidente que as religiões, com seus princípios norteadores do comportamento humano, bem como com sua práticas místicas, não têm sido eficientes. Falta-lhes a consideração da condição simultaneamente humana e divina de cada pessoa.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Autotransformação Física

O espírito tem dois caminhos para dar continuidade a sua evolução utilizando-se do corpo físico: aperfeiçoar artificialmente o corpo ou mudar de planeta, onde possa encontrar condições de plasmar um corpo mais adequado as suas necessidades de evolução. Esse será um desafio para seu futuro. Um corpo cyborg, com parte humana e parte sintética, será uma saída, porém desfigurará o caráter orgânico, tipicamente humano e natural. Mas, não seria esse a via natural ao espírito? Forjar as naturais circunstâncias, criando algo oriundo de sua inteligência, não tem sido sua labuta no planeta? Sim, pois para os espíritos que aqui ficarem, já que os que evoluírem mais irão migrar para outros orbes, herdarão corpos trabalhados ciberneticamente, para atender ao progresso inevitável. Será interessante assistir à geração daqueles corpos. Talvez veríamos corpos com chips orgânicos de memória implantados na altura da orelha; óculos tridimensionais de uso obrigatório para visão ampliada; capacetes especiais para ampliação das funções da glândula pineal e que também permitam comunicações mediúnicas; pele alterada quimicamente, pela administração instantânea de substâncias artificialmente preparadas que impeçam a recepção de raios ultravioletas e outros agentes nocivos ao organismo; entre outros produtos agregados ao corpo e que satisfaçam às novas necessidades de adaptação. Quem aqui ficar verá.