quarta-feira, 17 de março de 2010

Evangelismo

Percebo o quão de transcendência está contido nas parábolas de Jesus. Recebi, de um grande e espiritualizado amigo, em dois volumes, comentários de Yogananda, distribuídos em 1642 páginas, sobre as parábolas de Jesus. O título dos livros é "The Second Coming of Christ (A segunda vinda de Jesus) e "The Resurrection of the Christ Within You" (A ressurreição do Cristo dentro de você). Um trabalho robusto e que merece ser entendido como um tributo ao Evangelho. De fato, ali, nas parábolas de Jesus, está algo extraordinário e profundo, a ser melhor estudado pelos ocidentais e orientais. Não creio que também não haja profundidade e transcendência em outros escritos (Torá, Alcorão, Livro dos Mórmons etc.). Os sinais que revelam a essência do Criador não têm proprietários. Aqueles trabalhos vindos de um yogue de incontestável espiritualidade demonstram a magnitude dos ensinamentos do Evangelho. Porém, tamanha luminosidade pode cegar os mais desavisados. Essa claridade, quando em contato com mentes frágeis, promove um processo de conversão e de alienação do ego, que assume, por identificação com o Self, uma postura de poder, inflado no complexo de deus. O excesso, em qualquer atitude consciente, requer um adicional de energia para ser liberado ou expurgado. E isso precisa ser bem assimilado para evitar-se alienação, fanatismo ou fundamentalismo. Quando Allan Kardec escreveu o livro que continha explicações das parábolas de Cristo, deu-lhe o nome de "Imitação do Evangelho". Sob orientação permanente dos Espíritos, alterou, prudentemente, para “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, construindo a obra para explicar, à luz do Espiritismo, aquelas luzes. Assim deveria ser. Porém, parece, por força da intensidade daquelas luzes, que está havendo uma inversão. Toma-se a parte pelo todo. O evangelismo parece querer se sobrepor ao Espiritismo.

domingo, 14 de março de 2010

Estigmas e identidade do espírito

A identificação do(s) estigma(s) de uma pessoa proporciona uma aproximação do ego com o Si-mesmo. Em termos espirituais, isto significa uma maior possibilidade da aquisição da consciência de que se é um espírito e de qual é a sua singularidade. Quando me refiro a estigma, não quero considerá-la como a palavra ficou marcada, isto é, como a marca a ferro imposta ao escravo, ou como uma chaga, portanto, uma característica negativa, explícita, punitiva ou educativa; mas como uma contingência sob a qual o indivíduo é situado momentaneamente ou durante sua vida, independentemente de sua vontade consciente. Sua identificação como um estigma requer a percepção de totalidade sobre a vida da pessoa em questão, que englobe o inconsciente, a consciência e o meio social, configurando-se uma gestalt. Sua identificação não implica que seja aceita pela pessoa ou que represente algo relevante para ela. É apenas um enquadre terapêutico oportuno à percepção do inconsciente e como ocorre a relação com a consciência. A identificação do estigma oferece uma pista, uma luz, um caminho para o entendimento do mistério da identidade do próprio indivíduo, do espírito em si.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Os mortos não voltam; só os vivos retornam

A morte do corpo sela o fim de um personagem, isto é, de uma pessoa que construiu uma história que não retornará jamais. O que ficará na memória do espírito somente será acessível randomicamente, sem os componentes das percepções dos outros. Aos poucos, com a repetição de experiências, reterá o que contribui para a construção de paradigmas balizadores da evolução. O que viveu, como viveu e o que ansiou que acontecesse não mais poderá ser revivido. Esse é o movimento da Vida. A cada momento, tudo passa a ser melhor, diferente e extraordinário ao espírito. A morte, a cada encarnação, é um fenômeno real, pois a natureza não se repete nem permite estagnação. O retorno do espírito a uma nova existência, num novo corpo, não lhe trará de volta o que viveu, nem os mesmos personagens, mas alguns dos espíritos com quem contracenou, porém investidos de uma nova personalidade. Tudo será sempre novo, mesmo que se experimentem os “deja vu”. Pensar na morte dessa forma, deve levar à compreensão de que tudo, absolutamente tudo, inclusive a idéia que se faz de Deus, é mutável e surpreendentemente maravilhosa.

domingo, 7 de março de 2010

Expansão

Não se pode conter o avanço ou expansão da própria consciência. Há no íntimo de cada Psiquê uma marca divina que a impulsiona a ir além de seus próprios limites, na direção de algo muito mais complexo e inimaginável. Aquela imprescindível marca, quando recebe a contribuição da autodeterminação consciente do ego, leva o próprio espírito a um estágio mais elevado de percepção do universo. Para essa contribuição ocorrer é necessário: renúncia a qualquer tipo de reconhecimento externo, percepção da designação pessoal, autoconsciência da própria imortalidade, além de se tornar proprietário de si mesmo. São requisitos importantes e que devem se constituir em desafio ao espírito para que alcance as finalidades últimas da Criação. Adianta muito pouco conhecer as coisas, ter grande quantidade de informações, ter uma inteligência invulgar, se não se envolver com a própria vida, se, obstinadamente, não se sacrificar para alcançar o objetivo da autotransformação. Expandir a consciência é não se contentar com uma evolução rasteira, dentro dos limites estreitos das concepções materialistas de viver, ou enclausurada nos dogmas religiosos.

terça-feira, 2 de março de 2010

Amar

Sou um espírito livre. Quero amar as pessoas. Quero viver sem os limites impostos pelas minhas imperfeições. Quero sentir o amor, ao menos uma vez, proporcionando-me a dimensão e a importância da vontade permanente de possuí-lo. Quero amar, primeiro uma pessoa, depois, simplesmente, amar. Quero observar pela janela e sentir meu olhar correr, como numa veia corre o sangue que avança à frente, em busca do amor. Quero viver sem fronteiras, conectando-me à terra, dissolvendo-me no oceano, correndo com os ares e aquecendo como fogo, pois, como espírito imortal, sou mais do que penso e do que realizo, sempre querendo sentir o amor. Como o amor, sou a força propulsora do Universo, razão de sua existência e sentido maior da Criação. Sou a essência da vida, princípio ativo e permanente de todas as coisas, elemento conectivo dos corpos e das formas, que lhe dá razão e significado. Quero sentir o amor, sem mesmo entender suas razões e conseqüências. Quero preencher e envolver meu raciocínio, meu intelecto e minhas idéias pela onda penetrante do amor para que a vida aconteça.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Leveza

Adote a leveza. Torne-se uma pessoa menos densa. Afinal de contas você é um espírito imortal. Isso significa que você é propriedade de si mesmo. Sei que problemas existem e atingem a todos, mas sua vida é maior do que qualquer deles e do que todos reunidos. Evite dar trabalho ou exigir algo do outro. Sei que você deseja saúde, mas o mais importante é conquistar a paz de espírito. Essa, ninguém lhe tira, pois é inalienável, muito embora transferível. Aqueça sua vida com emoções que envolvam pessoas queridas, pois elas são os maiores referenciais de sua vida. Sinta-se participante da vida, influenciando os eventos, portanto, deixando sua marca pessoal. Aprimore sua fala na direção do coração do outro, tocando-o de forma precisa e suave. Mergulhe em você mesmo, considerando que o seu mundo externo é reflexo de seu interior. Você é, principalmente, o que lhe ocorre, portanto tente modificar sua visão de mundo, pois ela retroagirá sobre você e sobre sua vida. Você é um ser indestrutível, portanto, seus medos e proteções que requeira de forças superiores, pertencem à sua infância. Logo adiante, quando adquirir mais maturidade, se perceberá autodeterminado. Viva um ritmo internamente intenso e externamente suave. A Vida pede-nos equilíbrio e harmonia.


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Carlos Bernardo Loureiro

Posso afirmar, com absoluta certeza, que Carlos Bernardo foi o maior historiador e pesquisador do Espiritismo, que conheci. Advogado, escritor, fundou a TELMA – Teatro Espírita Leopoldo Machado, no qual aplicou seus conhecimentos práticos de Espiritismo, beneficiando milhares de pessoas com tratamentos de desobsessão. Muito querido e admirado pelo seu estilo critico, objetivo e assertivo em se colocar. Conhecia o Espiritismo como poucos, escrevendo livros e artigos, além de proferir inúmeras palestras sobre temas espíritas. Era um entusiasta, médium e esclarecedor de espíritos, e se dedicava integralmente ao Espiritismo. Foi professor e, por muitos anos trabalhou em assessoria jurídica, se destacando em tudo que fazia. Lembro de seu jeito tranqüilo de demonstrar conhecimentos, surpreendendo com informações históricas e documentos autênticos a respeito de tudo que fosse mediúnico. É dele o robusto trabalho “Os Investigadores da Alma e do Espírito – Cinco Séculos de Pesquisas”. Seu nome ficará na galeria dos maiores vultos da ciência espírita. Meus respeitos a Carlos Bernardo Loureiro.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Djalma Motta Argollo

Djalma Argollo é um grande amigo. Meu interlocutor na discussão filosófica do dia-a-dia. Quase diariamente conversamos sobre muitos temas, dentre eles sobre Espiritismo, Psicologia, Filosofia e assuntos pertinentes a administração de Centro Espírita. Espírita 24 horas, dono de extensa cultura, portador de invulgar memória e de bom coração. Dedica sua vida ao Espiritismo, sendo um dos grandes oradores que conheço. Possui ideias arejadas, com senso crítico apurado. Tornou-se terapeuta e conhecedor da Psicologia Analítica de C. G. Jung, sendo leitor assíduo de suas obras. Djalma doou os direitos autorais de sua vasta produção literária para as obras sociais da Fundação Lar Harmonia (FLH). Traduziu do francês O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, doando os direitos autorais de tradutor para a FLH. Atualmente trabalha, junto com a portuguesa Ana Catarina Caetano, na tradução de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Ambos também doaram os direitos de tradutores para a FLH. Djalma fundou a AMAR - Sociedade de Estudos Espíritas, no bairro da Barra, em Salvador, que presta um excelente serviço na divulgação do Espiritismo. Sem dúvida alguma, ele reencarnou com a tarefa de impulsionar o Espiritismo, dando-lhe um caráter mais inovador, não conservador e de extrema praticidade. Sou seu admirador.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Hermínio Correa de Miranda

Estive a primeira vez com Hermínio Miranda no início dos anos oitenta, quando, em sua casa, em Botafogo, no Rio de Janeiro, me mostrou os originais de seu robusto trabalho "Eu sou Camille Desmoullins", de investigação com uso da Regressão de Memória em seu amigo Luciano dos Anjos, que ainda não fora publicado por proibição deste último. Hermínio me acolheu, um desconhecido, com muita distinção e respeito, falando sobre seus livros e estudos. Saltava aos olhos sua dedicação séria e disciplinada ao Espiritismo. Na ocasião em que nos encontramos, com reticências por parte dele, conversamos sobre alguns nomes na História, de priváveis encarnações dele próprio. Posteriormente, fora a Salvador, onde nos reencontramos, participar de um dos Congresso Espíritas bem conduzidos pela Federação Espírita do Estado da Bahia. Hermínio tem uma vasta obra bibliográfica, na qual se pode observar a seriedade de suas pesquisas, sobretudo em torno da Reencarnação. Seus livros podem, sem dúvida nenhuma, serem considerados complementares às obras de Allan Kardec. Foi ele quem me incentivou o gosto pela pesquisa e estudo desse tema.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Ildefonso do Espírito Santo

Quando entrei para o Movimento Espírita Juvenil, na década de setenta, em Salvador, percebi que havia uma mente mais lúcida e mais aberta, dentre muitos que dirigiam a Federação Espírita do Estado da Bahia. Todos os jovens confiavam nele como um progressista e como alguém que buscava o novo, não sendo conservador. Médico Sanitarista, conciliador, amigo, empreendedor e entusiasmado com o Espiritismo. Sempre demonstrava que poderíamos fazer muito mais pela sociedade, utilizando-nos dos princípios espíritas. Chamo-lhe, carinhosamente, de "poeta", em face de sua tranquilidade diante da vida e de sua facilidade em lidar com o ser humano, compreensivo e amoroso. Sempre me cativou sua natural humildade, além de ímpar inteligência. Ouvia atentamente as pessoas e ponderava muito quando acreditava que estavam equivocadas. Quando meus amigos falavam a respeito dele, denominavam como sendo “um espírito evoluído”. Isto é para poucos. Lutou contra muitos preconceitos, vencendo-os com forte determinação de espírito, mostrando seu caráter nobre e sua bondade cativante. Minhas reverências também ao Dr. Ildefonso do Espírito Santo.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Vulcão Osorno

A saga humana é uma representação da pujança divina. O que move o humano é o desejo de se tornar divino. Adler não deixava de ter razão. Aqui, no Vulcão Osorno, sinto que o interior da Terra, que expele lava, de certa forma, revela uma das faces de Deus: a mais negada, a telúrica, a negra, a obscura e fervente. Uma erupção traz à superfície algo representativo da natureza divina que, mesmo destruindo o que encontra no caminho, transforma, propondo que o novo seja construído pelo humano. Essa face divina, desafia o humano, incomodando-o e o direcionando para o Si-Mesmo. Vendo as pedras vulcânicas, coagulação da lava expelida, pode-se perceber que o interior é sempre revelado de forma peculiar, caracterizando a natureza essencial de onde saiu. As duas grandes motivações humanas são a luta constante pela sobrevivência e o desejo de se tornar divino. A primeira, revela que a imersão na matéria exige consumo e gasto de energia. A segunda, revela que o desejo é guiado por uma designação pessoal a ser descoberta e vivida intensamente.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Elzio Ferreira de Souza

Posso afirmar com muita convicção que ele foi um dos principais responsáveis pela minha busca pelo saber espírita. Sua cultura geral e seu conhecimento de Espiritismo eram inigualáveis. Tinha o hábito de me fazer questionar sobre os mais variados temas, indicando livros onde pesquisar. Dirigiu a Livraria Vinha de Luz, da Federação Espírita do Estado da Bahia, por muitos anos, tornado-a ponto de encontro de estudiosos das mais diversas religiões, pois ali encontravam livros de todos os credos. Sua mente aberta e lúcida, contribuiu em muito para fazer a "cabeça" de muitos jovens espíritas de minha época. Foi dele que peguei o gosto pelo estudo comparado de C. G. Jung e o Espiritismo. Posso afirmar, sem dúvida alguma, que ele foi meu Mestre, sabendo que eu não estava a altura de ter sido seu aluno. Era uma pessoa de muita bondade, de forte religiosidade e de espiritualidade superior, características daqueles que alcançaram a sabedoria. Fundou um Centro, junto com amigos, conhecido com o nome de Casinha. Era um núcleo espiritual de amor e estudos espíritas. Minhas reverências ao Dr. Elzio Ferreira de Souza.