sábado, 9 de agosto de 2014

Guerras

Há as internas e as externas. Ambas são mortíferas e bárbaras. As primeiras causam e estimulam as segundas, que sempre destroem, matam e atrasam o ser humano.
São geradas na intimidade da alma que ainda não percebe sua dicotomia e separatividade do todo.
No seu cerne, constam altos graus de egoísmo, orgulho e ignorância quanto à presença divina em todas as coisas.
Acontecem quando os limites da racionalidade são rompidos, dando lugar aos instintos mais primitivos.
Cessam quando, extasiados pelas perdas e pela debacle das forças físicas e psicológicas, o ser humano dá lugar ao amor e à legítima fraternidade.
Desaparecem quando conscientes de que somos todos Espíritos imortais, elementos de uma mesma família, não mais disputarmos qualquer tipo de hegemonia.


terça-feira, 5 de agosto de 2014

Saudades desta encarnação

Um dia, tenho certeza, quando liberto deste corpo, sentirei saudade desta vida, dos amores e das experiências maravilhosas que vivi. Sentirei falta de minha infância, quando meus primeiros passos foram acompanhados por minha mãe. Sentirei falta de brincar na terra, de sujar as mãos na lama formada pela chuva bem vinda. Nunca esquecerei meu querido pai, principalmente de seu interesse em meu progresso. Lembrar-me-ei eternamente dos amores desejados na adolescência e dos amigos da escola que estudei as primeiras letras. Lembrarei também da primeira viagem à capital, embriagado de curiosidade quanto ao que veria e viveria. Sentirei falta dos primeiros estudos espíritas, do Centro Espírita que me acolheu, onde construí as primeiras imagens a respeito da vida espiritual. Lembrarei das palestras assistidas e proferidas, dos diálogos com as entidades espirituais nas mediúnicas esclarecedoras e dos companheiros de jornada espírita que conheci. Nunca esquecerei da família que formei e dos filhos que recebi como amigos para sempre. Olharei para meu passado com alegria e saudade dos amigos, dos lugares que conheci e das orações que recebi sempre que experimentei a solidariedade. Sentirei falta do mundo que ajudei a construir e que mergulhei numa vida extremamente valiosa. Já sinto saudades de tudo e de todos, mesmo quando me vi em aflição e quando percebi minhas limitações evolutivas. Sim, tenho saudade da vida que tenho hoje, pois, qualquer que seja, merece ser bem vivida e com aproveitamento total. Antecipadamente sinto saudade do que estou atualmente vivendo, das pessoas que fazem parte de minha atual encarnação e do sentimento que tenho no exato momento que escrevo. A vida é muito boa para que percamos tempo dando tempo ao egoísmo e ao orgulho. Em seu lugar coloquemos, no mais alto de nossa consciência, o amor e a consciência de ser Espírito imortal.


segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Queda dos estereótipos

Emocionei-me outro dia ao constatar que havia deixado o grupo daqueles que dividem as pessoas em homens e mulheres, machos ou fêmeas. Percebi que me encantava ao perceber pessoas que se apresentam com características e comportamentos diferenciados, principalmente quando o faziam naturalmente, sem estarem atuando, mesmo de forma inconsciente, para se auto-afirmarem. Via, com encantamento, homens altamente sensíveis, mulheres dominando com maestria o pensamento lógico e a objetividade, pessoas que nasceram e se afirmaram com o psiquismo longe da padronização estereotipada e polarizada exigida pelo meio social estigmatizante. São autênticos, mesmo que necessitem de certa dose de sofrimento pelo esforço em se impor ao estigma social, e expressam sua natureza íntima, com significativos ganhos evolutivos. O Espírito, cada vez mais, ultrapassa os limites do corpo físico bem como os impostos pelos estereótipos sociais, expressando sua múltipla natureza interior. Somos Espíritos imortais e, quando encarnados, utilizamos roupagens que nem sempre expressam nossa verdadeira natureza.


domingo, 3 de agosto de 2014

Os vários nomes do amor no acasalamento

O amor adolescencial: geralmente acontece no início da adolescência, fortes tendências platônicas, ocorre no desabrochar da vida emocional, atendimento a expectativas infantis, afirmação da identidade do gênero, supre necessidades hormonais, caracteriza-se por ser altamente projetivo, atende à curiosidade, imitação do modelo materno-paterno, atendimento às exigências arquetípicas, imposições de moldes cármicos, dificulta a percepção da sombra do outro, tende a desaparecer com o tempo de convivência;
O amor comum: enxerga parte da sombra do outro, obedece a imperativos sociais de acasalamento, supre expectativas de afirmação sexual, desejo de exposição à sociedade, desejo de inserção no grupo de acasalados, supre necessidades hormonais, atende ao sentimento natural de gostar de alguém, caracteriza-se por ser parcialmente projetivo, naturalmente é dirigido pela busca da formação de família, natural disputa pela hegemonia da relação, muito suscetível à instabilidade, muito sensível a términos;
O amor padronizado: movido fortemente pelo desejo de casar, fortemente produzido pelo desejo de ter filhos, obedece ao condicionamento em construir uma família, apresenta exigências fortes do desejo de carinho e atenção, guia-se principalmente pelo desejo de compartilhar a vida, apresenta exigências de ser perfeito e harmônico, modelado pelo desejo dos ascendentes familiares, apresenta tendências a comparações com outros similares, suscetível a depressões nos rompimentos, valorização do sexo, geralmente exige grande esforço para manter-se;
O amor maduro: desejo de companhia, desejo de não ficar só, desejo de envelhecer junto a alguém, desejo pelo progresso do outro, sentimento profundo de felicidade pelo sucesso do outro, apresenta alta confiança no outro, sentimento de felicidade pela existência do outro, ausência de ciúmes ou do medo da perda, desejo de compartilhar a felicidade com outros, sexo com qualidade e bem aproveitado, filhos como continuidade e tratados como amigos, respeito e carinho em alta valorização, reciprocidade no trato cotidiano, prazer em viver ao lado;
O amor maior: desejo de ser feliz e de fazer alguém feliz, desejo de se entender e de conhecer o outro, sexo com qualidade, amizade ao outro, sentimento profundo de amar sem reservas ou exigências, compreensão do direito e do espaço que é do outro, sem posse ou cobranças infantis, comemoração à vida como uma oportunidade de compartilhá-la com alguém, promove a felicidade pela constatação de um amor sensível e que impulsiona ao crescer, constatação de que Deus presenteou a pessoa com o amor maior.


sábado, 2 de agosto de 2014

Quando eu choro

Ante a alegria de existir, amar e sentir Deus na intimidade da alma;
Quando percebo duas pessoas que confiam uma na outra e, mutuamente, externam o sentimento de querer bem;
Quando a vida triunfa sobre o desespero e o derrotismo;
Pelo sofrimento da mãe, quando seu filho, em tenra idade deixa o corpo físico pelas portas da morte;
Sempre que pessoas reunidas clamam pela Misericórdia Divina em favor dos que sofrem;
Quando, em meditação, reconheço a grandeza de Deus e o maravilhoso destino que reserva ao Espírito;
Quando vejo pessoas se irmanarem em favor do amor e do bem-estar de todos;
Quando alguém alcança sucesso em levar esperança a outra pessoa da existência de um mundo melhor e de uma vida espiritual plena para todos.